Revista Trías

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Singularíssima pessoa, singularíssima poesia

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Joel Cardoso

Ser poeta é revelar-se a si mesmo e à sua época, é ter o que dizer a ela. É, assumida ou veladamente, ser arauto das suas verdades interiores. É ser verdadeiro ou fingidor como queria Pessoa. Ser poeta ver, apreender, apreender e transformar o banal, o cotidiano em pérola rara, alguma coisa inovadora, inusitada, como se, só agora, através da apresentação do discurso poético, estivéssemos descobrindo, maravilhados, esse banal, esse cotidiano. Se ser poeta é, por um lado, poder abusar da simplicidade, é, também, por outro lado, ser sofisticado, único, original. Como senhor absoluto, se servir das palavras e fazer delas servas a serviço da expressividade no discurso que se quer transmitir. [...]

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